Calçada

Fim de uma tarde quente. Mesmo assim, soluços eram ouvidos daquela boca fria, triste e que não transmitia mais os mais promíscuos desejos. O seu corte que tinha perto do olho direito parecia que abriria de tanta lágrima que a cubria naquele fim de tarde.

Cachos

Cachos da eterna flor branca, simplesmente branca, em sua transparência quase que eterna de paz e emoção. Flutuante, bem leve ao vento, sua forma, que tanto me sumia no mais momentâneo dos desejos.

Busco na minha alma

Busca na minha alma uma canção que de tanto se fazer escutar permitiu a ouvidos que entrasse e acabasse com todo o sentimento encontrado no espaço vago da paixão, em coração perdido em corpo destemido, despido, desiludido com a fortaleza de sua beleza em quarto e escuridão.

Buscou música abrigo e encontrou desejo de montão, aos escorregões nas finas e lisas

Brilha sol

Brilha no sol seu sonho com o meu,

nosso passado sem o seu.

Tudo avesso como quis.

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&

Tua vida fácil vem por um triz

Calando-me angústias com giz,

Que escreve o meu beijo no seu.

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&

Flor que desabrocha em outono

Vive calando lembranças no morno

Dia em que te vi partir sem fim.

Boca, lábios, carro, imensidão.

Por vez quis repetir, em vão.

Bem longe!!!

A gente adota uma estrela para dela arrancar todos os melhores desejos. Ela, com valor que a consagra, deixa acontecer tudo o que queremos, dando chances, sorrisos e novo amor. Mesmo sendo forte demais, quando a paixão chega a uma estrela, sabe-se que o vento passa a soprar bem mais lentamente, elevando os arrepios aos mais altos estados de descontrole.

Se a estrela soubesse mesmo que se sente quando está na mão, deixaria o sorriso de lado e se esconderia na pureza de um abraço, nítido abraço, que quando não se dá, sufoca, lacrimeja, engasga.

Mas a estrela é profunda na escuridão do céu. No infinito da união, ela se torna fatídica em momentos mais belos. A estrela, de brilhar constante não pode esperar, porque nela estão profundos pedidos de conforto.

Bate a porta

Bate a porta.

Entre e se tranque.

Venha de noite.

Passe por mim.

Durma aqui.

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&

Vigie a janela.

Abra a boca de sono.

Volte e me abrace forte.

&

&

Ligue meus lábios.

Deixe fluir seu sangue.

Morra um pouco de amor.

Barquinho de fino casco

Barquinho de fino casco, leve, transparente, viajante de longos mares, capaz de levar sonhos aos desavisados e também um pouco de paixão aos que perderam momentos de utopia.

Cometa que desce sem freio à imensidão escura do céu sem fim. Sobe, às vezes, para de lá permanecer sem cor. Tem sim o branco, que cola e junta com as estrelas cadentes.

O azul é o seu não limite, é prazer nessa relação de sensibilidade e proveito. Cresceu vendo o brincar das coisas, repletas do azul parelho, de dia, e sem medo.

Barquinho de fino casco, permite-se ser assim, leve, flutuante, sem medo, feliz!

Assim anda

Assim anda, com pernas de animal maduro, de relapso ao fato que consome um sabor amargo na boca triste.

Assim anda, de lado oposto ao carinho vaidoso, de mentiras enjauladas, de coração perto da alma.

Assim anda sombrio e letal, o raio de Sol de que nada adianta, de que nada ilumina, de fator sensível.

Assim anda o limbo de cada esquina, de escorregar forte e cego, na escuridão latente, dor futura.

Assim anda, querendo mais, sabendo menos, dizendo pouco, ferindo largamente o sorriso da sutil.

Assim anda o Luar maior, de caldas ferozes, de lábios tristes, portando fugas alucinantes, de sabor doce.

Assim anda, sem lado e direção, fascinado pelo novo, no aquário de águas imagináveis, de líquido amargo.

Assim anda, fomenta, adquiri, relaxa, composto de anteriores saborosos abraços, antigos desejos.

Assim anda, para longe de cada passo, gesto, sentimento, longe do que faz sentir o aperto do sensível mundo agora!!!

Assim, até o fim!

Na imaginação de olhar Netuno, a cor negra. Filme como o de antes, em flash suave, remoto. Que recordação foi aquela? Os seus lábios foram-se tão de forma amável, que ao perder o brilho da lua, do sol, nem notara o quão sofreria para sempre.

Perdi tudo, a referência de um desafio tranqüilo, o de atravessar a rua sem seus braços, ou com eles, nos meus mais antigos sonhos de noite fria. Perdi a ilusão de notar os pequeninos olhos infantis, como o que sonhamos, mas que agora, apenas os seus enxergam.

Assim, pude sentar em calçada de cor de chão. Ali, deitei e fiz do vento a minha paralisia de cheiro doce, em perfume inadequado de alguém que passava e que eu não via.  E esse escuro foi a maneira simples que vivemos, sem nos ver realmente.

Em tudo que sentia, acreditava, em dose cavalar de vontade. Refletia-me  às necessidades de dias floridos, coloridos, audaciosos. Era assim, com longos luares e imensidão. Porém, como nas reticências da vida, o tempo arrancou o que resistia a ver futuros melhores. Mostrou-me e escondeu para sempre aquilo tudo que acontecia.

Fechei as mãos para não pedir ajuda. Também não sonhei mais como antes. Dos meus abraços, consegui carinho dos anjos, que não nos nega nunca o refúgio.  Das flores, apenas o cheiro, a lembrança de um relicário completo de fugas, de horizontes. De você, a chuva natural de lágrimas em segredos de vida unida.

Fiz-me rastro, ao avesso dos normais, complicando sentidos que senti. Na verdade, o sentido perdido não se refaz nunca, o terei, assim, para eternidade. Mas, calma! Para ti, o toque da campainha em agrado, chega ao ritmo homeopático, para que você experimente os vitrais mais diversos que a vida lhe proporcionará. E nunca feche os olhos como eu.

Às letras

A vocês, chão de terra dócil, para criação de longas frases.

Em rituais de noite quente, a fina alma se mistura ao amor.

Insanas, às vezes, coerentes amigas são formas vorazes.

Que consomem loucamente ouvidos tristes sem mais rancor.

 

Malucas são, e muitas permeiam, nas bocas mais variadas.

Das sujas às mais perfeitas, em forma de utopias insanas.

Fazem-se virtudes e maldades, nuas, em palavras raras!

Que unem, magoam, sorriem,  plenitudes momentâneas.

 

Na frente da sorte, não há palavras perdidas, amargas.

Pois seriamente de carinho nasceram, e selvagem!!!

 

Às flores

Às flores, a graça de dois amores, em beijos suaves, provocantes, provocadores.

Às flores o azul, o vermelho e dois sabores, em boca de lábios claros, secos, tentadores.

Às flores, o arrepio ardil de desejos sedutores, transcendentais, enlouquecedores.

Às flores, dois copos com água, um punhado de terra, e dois minutos das mil cores.

Às flores, simplesmente elas, as flores.

Fantasia

Às 10h em ponto peguei a toalha preta, com riscos em amarelo, essa que mais lembrava os fios do seu cabelo, só que bem grossos, e sacudi na janela. No ar, restos de um café da manhã de sabor amargo. Percorriam o ar, em um flutuar calmo, transformando meus olhos em desabrocho de sonhos. Talvez fosse a quantidade de vinho seco que tomamos na noite anterior o motivo de a brisa bater bem de leve na minha alma naquela hora. Talvez não fosse, também. Poderia ser a esperança, a conformação, poderia ser. E foi, aliás, foi-se no vento as migalhas daquele café da manhã.

Como em um estalo de dedos, o passarinho mais próximo da janela anunciou aquele dia que começara tardio. Aquilo que voava, em fuga ou em vão, era algo que tentamos empurrar para o estômago naquela manhã. Dois pães, um fino queijo e café preto, sem leite. Nada mais. Nos seus olhos notava-se o medo de fermentar seus buracos do estômago com vinho seco e leite. Muito forte para o seu fim de vida. Bem que não quis mesmo.

Na janela, quase perdi a toalha. Tratei-me de voltar à realidade e pus-me a dobrar tudo. Da trouxa com copos e talheres, a pressa de suportar o dia. Não havia mais tempo a perder, as próximas horas seriam totalmente anos, dias. Nossas cabeças remoíam o vinho da noite, em um amargo que disputava lugar na língua com o café preto, sem açúcar. Nada disso tirava o espaço da preocupação.

Queríamos tudo de volta naquela manhã. Os 50 anos juntos, o primeiro anel de rubi, o sapato do primeiro casamento seu. Bom, nem deveria estar ali, de verdade, pois o teu barro fora amassado em outros horizontes antes de mim. Todavia, aprendi com você que a vida suja é a que anda descalça, por aí.

Às 11h47 estávamos onde teríamos de estar. A toalha ficara de fora, pois não se pode parecer arraste em momentos de roupa não amassada e de cabelo penteado. Nossos ouvidos estavam limpos, arruei algo para limpar justamente para receber a notícia.

Nos separaríamos, desta forma se anunciou, da boca de dentes frouxos e faltantes, a palavra cantada do doutor. Tu eras o fim no olhar, nem esperou a morte que chegaria em breve. Eu, sem ter o que fazer, agradeci e te peguei nas mãos. Tinha certeza absoluta que a dor do vinho da noite anterior ainda estava com você. A mesma certeza de que também sentia-se conformado. Por tudo que passamos, ali era o ponto final.

Às 13h43 voltamos ao nosso lugar. Coberto por um fino cheiro de esgoto, os tubos de do nosso ambiente abandonado era realidade. Os ratos e as aranhas até deixaram a gente em paz, sabiam o que ali se permeava.

Não adiantou nada narrar aquela fantasia das 10h, que no desespero se condicionou como único remédio. Nunca tivemos nada e eu passaria a não ter você.

Artefato

Nas mãos corretas, sangue jorra como escape, em fuga dos impossíveis medos. Quando se fomenta em costume, ou seja, em mãos errôneas, o ar se faz fino, em dor paralisante, própria do estrangulamento.

Ao nascimento, o sangue se faz escorreito, junto ao grito que aprofunda futuros e dilata a alma. De gesto inocente, é assim que o tal do amor preenche o coração da mãe. Pois dela se fez força e raiva para o provimento da vida.

No fim da vida, o mais correto é aguardar o fim. Se se jorra sangue é porque não existe mais Deus. O corpo é finito, comprovando-se com o fechar dos olhos na espera do fim.

A fim de se tornar real, preenche-se com o fatual, tentando rimar fidelidade com abstrato. Desta forma, se consome os amores amantes, em frias noites de verão.

Ator solitário, a atitude compreende tudo, como artefato perigoso da vida. Dela, o novo navega em mares quentes, com lua brilhante e noite perfeita. Conclui-se que a tudo se deve à atitude.

Quieto a observar

Arrumei um jeitinho de sentar-me com o rosto ao sol. Lógico, estou ainda de pernas encolhidas, pois foi muito longo o sofrimento da madrugada. Ainda me desfaço do que me fez, por vários minutos, morte na certa. Sua morte.

Agora aqui, nesse sentar de olhos de lágrimas, examino cada segundo da imaginação, como consequência do que não pude suportar horas antes. Não podia acabar assim o nosso desejo, em águas frias, em sangue escorrido no chão e com o cheiro do amor, da paixão subindo ao ar.

Não consigo sorrir.

O que cometi foi contrário aos pedidos que sempre fiz à lua. Natureza sofredora, transformei-me em algoz de gestos sublimes, sem notar que a brisa que me condicionava frescor nos lábios secos podia me dar fim normal. Não o que fiz.

Precisava fazer isso. Não aguentava ver-lhe de cigarro na boca e de calça vermelha correndo em noites de campos floridos. Não conseguia suportar sua sanidade quando se tinha chuva forte e de vento.

Agora, aqui, consigo esticar as pernas. Elas estão manchadas de sangue, mas o sol está tratando de endurecer meus anseios que produzem suor frio. Sabe, estou gelado, mesmo sabendo que fiz aquilo que havia pensando.

Chego, porém, a imaginar seus sorrisos nesse sol. Brilhavam intensamente seus lindos dentes, dentro de um valioso beijo. Fugia-me erros, as tais rosas do campo florido, quando, sempre devagar, sentia seu beijo.

Mas preciso ir. Lembrei-me que esqueci de avisar você, teu erro eu já perdoei. Não quero mais te trazer problema, não retomo mais nenhuma angustia do passado. Esquece, vai?

Posso me levantar agora? – Vou buscar um café e um cigarro para você, daí a gente fica aqui no sol. Fica bem calmo, tudo bem?

Dê apenas uma risada para mim. Estou conseguindo sorrir agora. Levanta, por favor!!!

O que faço? Aqui, percebi que você fez ventar folhas para me fazer saber que voltou depois da madrugada. Você está aqui não é? Perdoe-me peo que fiz.

Fiz e agora você tem a mim como proteção, em pedidos à lua e ao sol. E ainda tenho sorte de saber que daí você me protege, me dá as coisas mais simples da vida, como esse brisar que a pele das flores sente.

Preciso ir, agora. Preciso me abraçar a você para ainda sentir seu perfume de mulher.

Arrepio

O arrepio,

de tão forte que vem,

não gera estranheza no corpo…

 

…………………………o projeta para o infinito dos sentimentos de prazer mítico,

sem Deus,

com anjos, às vezes,

do jeito que quiser

e dependência de como se sente a transmissão.

 

O arrepio,

ao entrar no coração,

transmite raios de loucura,

de insanidade,

fazendo-o amar incondicionalmente…………………………..

 

toda e qualquer forma de boca e seus dentes de alucinação.

 

É, arrepio!

 

Tu és pureza,

na descarga da alma em pele,

na passagem da alma pelas milhares de bolinhas………………………..

que brincam de entregar sensações tão profundas quanto a própria alma.

 

Não há quem não seja indefinido no arrepio.

Não há quem não se esfrie,

Se esquente.

 

Paralise por ele.

 

 

Arrepiante

Arame

Arame com sangue de sua fuga de mim.

Não precisava ter sido assim, bastava aquele sim em tarde de sol frio, de outono sombrio, de calor, dor, abril.

Na tua pele branquinha, quase transparente, soltinha, a dor de quem desrespeitou um acordo de paixão, feito por corações em noite de milhões de estrelas nossas.

Quis você, enfim, ir, esquecer-me aqui, no nosso ritual de sempre.

Ao amor

Apenas me entreguei ao amor. E até que parece, para você, algo sem resposta. Mas até que é, sabia? Em alguns minutos penso: é esse tempo que responde a tudo. Se ele tivesse cara, como seria? Para ser tão assim, afinado com o destino, outro para satisfação de agrado eterno, teria rosto de criança sentido a brisa doce, de uma tarde quente, entre carinhos e naturalidades.

Sintonia fina, nos encontramos ajeitados, em transparências suaves de quem permite deixar entrar o amor entrar, por entre as janelas da alma, que respira fundo, os ares de sorte, amizade, ternura, rouquidão baixa, para os dias de frio.

Natural. Sinto mesmo como tudo natural, porque foi escolha, foi novamente escolha e hoje é natural. Tá vendo, tinha que acontecer nessa essência tranquila de vida real.

Pedia-me, bem profundamente, um sorriso neutro, de paz e inatidão. Veio-me você. Atmosfera vermelha, estrela de céu eterno………..tinha mesmo que me apaixonar por você e não esconder mesmo de ninguém…………mas de ninguém mesmo!!

Tenho tanta sorte que o seu amor se equipara ao meu de maneiras tão simples, que nos fazemos seres apaixonados, que rompem ares negativos, outras sorrisos negativos. Ah!!! Somos nós……..

Ainda bem, mesmo, que te conheci………e não me importo com os outros, e você sabe disso….. sou apaixonado por você…. doce amor

Andança

Quanto tempo levou o passo para descalço fazer pé sujo e andante.

Solto, de pulos alguns e correr jamais, trilhou tantos rumos e caminhos, sempre descalço a andar.

Sobre pedras, areia, chão, sangrou por vezes tentando chegar à escuridão pontual de destino.

Unhas perdeu, cor obteve e ruas, em vão, foi-se pelo infinito do andar sem rumo.

Anda-te

Anda-te até aqui,

27 anos depois,

e me diz o motivo de liberar

a mim

arquivos neutros,

internos seus,

que me fazem tão bem.

Fantasias,

músicas minhas,

tudo que gravei

no cantinho da alma,

para alguém tão quanto você.

Explique-se nesta noite,

até de dia,

deitada sob mim!

Amor família

Quando se diz “amor eterno”, seus e meus pés estão totalmente flutuando, porque, de fato, há profundo respirar de relato longo de tudo que passou.

Ainda passa e faz nossas almas sentir saudades, dessas que se aquecem com fotos, mãos, cheiro, lembrança, amor. Amor que morrerá quando morrermos.

Amo o mundo, meus amigos, você, eu, a nova e a antiga geração. Sinto falta de alguém, dele, desta, de tudo – porque a vida é a largura exata do gesto de Deus.

Amo tudo e espero ter tudo de volta no momento certo, desses que farão parte de quem começa a reinar neste pleno mundo.

Pai e mãe – os dias são perfeitos com vocês.

Amizade

Amizade, bondade ao dobro, forma única de riso e choro.

Amizade: uma união entre o que já é e o que já foi melhor do que poderia existir.

Amizade: raridade em pratos rasos, forma simples de dizer obrigado, companheiro.

Amizade: peça chave para um abraço forte que desejamos sempre.

Amizade: fator de exatidão para provar que o coração é de todos eles.

Amizade: muito legal ter, apenas sentir que existe é a melhor coisa!!!

Amanheci triste

Amanheci triste, meu sono ficou repleto de situações monstruosas, preocupantes e que me fizeram acordar assim, descalço de alma e sentimentos.

Por vezes tento reagir, mas esse sol que queima as incertezas também me faz sentir dor. É que dele acostumei-me a extrair delírios e calma. Logo hoje o vejo assim.

Não vejo outra saída a não ser fechar os olhos e encharcar tudo. Como é difícil continuar assim, sendo que nunca fora desafio romper com tudo aquilo que desdém do futuro. Hoje estou anestesiado no tempo, tremendo corpo e tendo como solução o nada, a risada desesperadora, o coração com dores.

Não existe espaço para esse sol. Ficar ali fora é a única forma de deixa-lo feliz.

Álcool

Álcool, para limpar meus sustos e braços com sangue. Hoje te matei com olhos famintos de futuro. Matei e rompi com aquilo que me corroía em latitude e longitude.

Nem tive tempo de trazer envoltos teus braços. Desfaleceram assim que te fiz vida eterna. Fiz atmosfera, fiz calor e frio. Seu olhar me procurava respostas sujas enquanto eu tentava me limpar com álcool.

Tranquei o susto, o inferno, o medo. Não era tempo para isso. O novo me suprimia o peito e trazia você constantemente. Memória que girava sem destino, sem luz e com o álcool travando as esperanças.

De cabeça fora da janela, procurei a lua que se escondia atrás da camada grossa de nuvens. Não gerou primazia naquela noite. Culpa dela, minha, sua, que esquecera quem fora eu.

Lembrou de mim, agora? – esfriando seus dedos de calor nas minhas aterrorizantes chamas. Noites e dias, trazia-se como pingente em corpo de todas.

Afundar

Afundar, em rodopios na queda livre que o corpo faz aqui de cima. Sentadinho, de pernas cruzadas a balançar vejo o seu girar, em vazão para outros possíveis sonhos.

Sei que não encanto. Perdi o brio, o sabor da vontade de te fazer feliz. Não haverá dor, veja bem, não há fim nesse descer, você bem que percebe isso.

O coração daqui de quem se acostuma com o branco bate em rápidas alterações. Parece mesmo e totalmente sóbrio que se quis assim o destino. E quis mesmo.

Poesias

Adoro fazer poesias, com sorvete de flocos e sabor de melancia, jogado água na cabeça, na incerteza de te ver um dia, em tarde de sol escondido.

Fazer-se escrever acalma a minha mão, que fica a sentir o chão quando planto bananeira, brincando a tarde inteira na ilusão da tarde fria.

Não percebo

Não percebo e vejo meu amor transbordar.

Não percebo que se vai, que se encolhe em dias de frio

e mentiras para se proteger e voltar a viver com o sol que aquece flores e amores.

 

Não percorro tanto caminhos assim para fatiar um milhão de carinhos de eternizar abraço.

Não costumo perceber meu amor partir e viver.

 

Mas sei,

assim que abro os olhos,

Que a formosura da vida é dar olhos para o amor não perceber que és livre para voar.

 

Flutuar,

correr,

nunca mais parar de amar e prover.

Adoraria

Adoraria florear o adorno do teu cabelo.

Mas perdi mãos ao acenar diariamente,

no desespero

de não mais ter cabelo a florear.

 

E hoje só adoro.

Adocicada

Adocicada, a brisa moldou as minhas lágrimas ontem à noite. É, estava ali sentando, contando estrelas que acabavam de inaugurar aquele céu profundo. O vento suave transportou, ao chão, mais uma gota de saudade daqueles seus pequenos gestos de vida.

Puxa vida – por que aquela noite ficaria tão pesada? O céu estava puro, brilhante. Não poderia ficar ali me dando utopias, desejos do que já não mais seria real. As lágrimas já escorregavam com os soluços, aspirando pensamentos, esses que guardei nas antigas estrelas e que ontem resgatei.

Com alguns nós na garganta, fiquei ali até tarde. Não sabia fazer mais nada, apenas chorar. Chorava muito, mesmo sem dizer algo. Queria achar resposta no destino sem solução. Acho que é egoísmo isso tudo. Mas nem me lembrei que fosse isso.

Flutuei em alguns minutos, parecia transe em atmosfera sem ar. Era o ponto maior que me saltou às vistas, a lua aparecendo para concluir, comigo, que a resposta era a mesma.

Imaginei que tivesse medo da noite, mas aprendi que aquela brisa foi um assopro daquela lua, primazia do anoitecer, que me fez ter olhos fechados naquele momento.

Isso porque já não tinha mais nada.

Acorde bem cedo!

Acorde bem cedo, mesmo agora sendo um modesto tempo, e relembre os deliciosos caprichos da vida. Esqueça completamente o chão de frio teor, quando deitara em dias frios para tentar se recompor. Lembre-se devagar o vagar insano que se transfigurava em noites de lua cheia.

Esqueça tudo. Hoje é dia de dizer adeus às lembranças. Delas, apenas, guarde o sentimento de que existiram, em um tempo só seu, como de costume e de ilusão. Foram seus, flutuando na imaginação tardia que trouxera bem antes mesmo de pensar nesse tal de futuro desastroso.

Eternamente, nossas lembranças confirmam nossos sonhos. Enchem-se de saudades e firma a necessidade de se ter apenas esquecimentos momentâneos. Rápidos, indecentes, novamente postos como certos. Pode pensar, sim, os valores que de fato fazem sua vida valer a pena. Relembre isso, agora mesmo.

Desejo-te

Desejo-te o invisível, para fingir-se escondida quando a noite chegar.

Desejo-te pétala, a voar no contar do bem-me-quer, mal-me-quer.

Desejo-te doces, salgados, no equilíbrio sincero dos seus pecados.

Desejo-te um pouco de ar, apenas, quando for olhar-se no espelho.

Desejo-te boa tarde, boa noite e bom dia, nessa ordem mesma!

A volta da poesia

Hoje não tem música, nem amor, nem desejo. Aliás, saudade, cheiro e sofrimento. Não sabia que flores fossem tão profundas em lembranças de chão de pedra. Vai ver que foste apenas um olhar em imagem de vida, de sorriso solto, antigo, envolto ao engodo tempo presente. Natural, reluzente. Assim é a poesia, caminha ao lado da tristeza e da demasia, tornando se labirinto entre os dedos e no coração!

A pureza do amor

Há mais do que apenas o ar, há mais do que apenas o vento, a brisa, a calmaria de um olhar.

Há, no amor, relampejos, outras vezes brincadeiras, conversas, o sabor calmo da alegria e dos muitos e variados desejos.

No amor não se escolhem os caminhos que as flores crescerão, mas, com certeza, se sente a beleza de que tudo nunca, nunca será em vão.

O amor, assim como uma flor, cresce pela purificação da água da paixão, pelo horizonte infinito da compreensão e pela riqueza calma encontrada somente no coração.

E é o tal do coração que arranca suspiros, sonhos, delírios. Coração que renasce a cada dia, tudo porque dele o sangue é oxigênio da gratidão, em uma amizade fiel que, com a alma, tornam-se a essência que vai além do boa tarde, do boa noite, do bom dia.

A graça da vida é saber que o amor existe, de fato e em demasia. Que nele os anos brincam de passar, de alimentar tudo que for a razão para a alegria eterna.

Amor, coração, tempo.

Aos 30, o amor é muito mais valioso, é de dois filhos, é para um gato e para um cachorro. É recheado de espaço para a família, para colegas, amigos, para todos que se encaixam ao brilho de amar.

Aos 30, o amor é mais que um presente, é uma boca sorridente que não se cansa de beijar.

É tão imenso que serve de espelho aos que, de certa forma, buscam apaixonar-se para sempre.

Por tudo isso e para o futuro, a alegria de hoje é de todos, é para todo mundo.

A Poesia

A poesia em mim faz moradia sem fim.

 

Acorda cedo,

dorme tarde,

brinca de ser trampolim.

 

A poesia, mesmo, és um alterego,

id,

plataforma irreal,

naturalmente sobrenatural.

 

Descansa em paz,

em noite,

na lua.

 

Flutua na pena da ave,

que surda,

no ar encontra a calma,

totalmente nua.

 

Em mim, a poesia canta sem voz.

Alicia letras,

encanta planetas,

em um universo interno, enfim.

 

A poesia é assim.

 

Termina instantes,

Cantarola calmantes,

em delírios abstratos de ousadia.

 

Perpassa a liberdade,

para no trocadilho da verdade

segurar-se eternamente em boca fria.

 

Neste jeito, floresce sempre no peito.

No respirar fundo,

do meu jeito.

 

A poesia é capaz de tudo.

Em mim, no escuro.

Tens o poder de transformar

sensações em alegrias.

 

Está na boca de lata.

No caramelo da criança,

No dia e na esperança.

A Paz

O encanto da paz motiva as flores a terem mais flores, o sol sair com força e os pássaros a cantarem sem medo, mesmo em tarde de dia triste.

A imensidão da paz cativa amores, transforma amadores em artistas dos seus fomentos, transfigura a raiva em pedaços pequenos, para do vento faz moradia para o infinito do céu.

Ter paz é amanhecer com olhos puros e verdes, bem como castanhos e azuis. É ter você, eu e nós, verbos, números e crianças, como que porventura cachorros e gatos.

O carinho da paz condiz com as necessidades do bem ao próximo. Paz amiga é profundeza de desejos a todos. És o respiro primeiro de um ser e o abraço ancião da experiência, tudo na calma da insolvência de um dia feliz.

A linha da lembrança

Eu não tinha nada, apenas o vento, dois passos e risadas. Tinha dois amigos, três lembranças e outras mil ideias para um mundo melhor. Corria para entender a vida, na praticidade de uma infância feliz. Brincava de ser esquecido, tendo como meta o esconderijo em dias de chuvas.

Não tinha muita coisa, havia mesmo o escorregar de lápis e caneta em folhas do conhecimento, o desejo arredio pelo cheiro ao vento, de tantas vontades e carinhos que se cruzaram em anos de aprimoramento.

Escondido em uma música, agora, descubro que passos foram dados, que vontades ficaram no tempo e que tudo isso está à tona quando da agudez de um sentimento acordado, revirado, tudo por dois bons ouvidos.

A vida não esconde nada, atribui ao futuro os melhores dos desejos, a lembrança, o seu beijo, a distância, novos enredos, a esperança.

Tarde

Tarde,
o sol
já dormiu
e a
noite
não está
nem aí.
 
Tente amanhecer
como gota
de folha a chorar.
Vai que
seu sabor
seja notado.

Determinou

Determinou, em sentido contrafluxo, o que a eternidade receberia.

Daí inseriu:

O voo dos pássaros, os sorrisos das crianças, as nuvens de chuva e de sol. A ventania, os arrepios na pele, o ato do abraço, as ondas do mar e o caminho para os pés.

Disse também:

A vergonha do canto da boca, a matriz delirante chamada liberdade, a brincadeira dos cachorros, gatos e elefantes, a ressurreição transvestida de milagre. A brisa da cachaça.

Gotas de lágrimas e chuva, a cor do café, olhares ao horizonte, a impureza das salivas – quando mal ditas, também estarão para o infinito assim como o carinho para cada destino.

Surra

Uma surra de vara, uma costa sangrando e um colar perdido.

No outro dia, palmadas e chineladas, dois sustos e desmaios, e nada do colar.

Já na manhã da terça-feira, corte para dez pontos e um olho com cisco conquistado no rastejo. Tudo atrás do colar.

Assim percorreu duas semanas. A base de murros, hematomas e apreensão.

Após se recordar, viu que o colar no pescoço se encontrava.
Apanhou de novo.

Sou de vidro

Tenho perna de vidro, tenho dente e cor de vidro. E permito-me dizer que tenho tudo isso até o amanhecer, quando em pedaços me espalharei, dando a cada um, um pedacinho de mim.

Um eu feito de jasmim, de flores tão apaixonadas como o meu desejo de ser de todos.

Sou de vidro. Sou transparente, quase que um meio fio perto de Deus. Minha alma se enxerga, minha calma também. Meu pescoço é de vidro, riscado por dentes de passagem, fome momentânea.

Sou de vidro.

Arco-íris de pó de vidro, moído, estilhaçado, agora, dando a cada um, um pedacinho de mim.

Sou um pote com ouro em vidro. Guardo a eternidade em mim, que sinto sempre igual no sorriso sem dente de um idoso e de uma criança. Sou a estrela de vidro, guardada no jardim da esperança.

Sou de vidro, alimento-me do calor, do frio e do seu sim, agora, todo seu, um pedacinho de mim.

Sou puro, sou pureza, cada qual com sua carregada forma de escutar o canto dos pássaros, de vidro. Sou de vidro, quebro fácil, e até o amanhecer me espalharei, para ter certeza de que terei outras razões de existir em você.

Sou de vidro.

Sou tão assim de vidro.

Sou mesmo de vidro, um espelho real que esquenta no passo calmo do sol, de vidro.

Tudo é vidro.

Vidro, alma, umbigo, jaula, tigre, mato, árvore, ar, alegria, dentes, saliva, boca, berro.

Sou tão de vidro que me encolho em noites de garoa, para esperar sempre o amanhecer, em que me estilhaço, dando a cada um, um pedacinho de mim.

Há quem tenha em mim seu alimento especial. Sou de vidro, não faço mal. Faço o bem, faço qualquer vem e vai, em passos descalços, cortantes, constantes, de vidro.

Não comento nada para ninguém. Sou de vidro, sou alguém.

Estilhaço.

Amanheceu.

A cada um, um pedacinho de mim.

A palavra

A
palavra
que
encanta
é
a
mesma
que
desencanta,
como
o
sorriso
de
alguns,
sentidos
incomuns
de
quem
adormece
antes
mesmo
de
fugir.

Luana

Hoje no céu há estrela de papel.
Estrela com palavras que seguem,
harmônicas,
meu pedido de querer dar o universo inteiro para você.

Por ser infinito,
o céu é a extensão do meu coração por ti,
florzinha de jardim da paixão.

Flor que encanta estrelas cadentes,
lua e sol.
Florzinha que de tão linda tem sua estrelinha de papel.

Nela,
meus sonhos de continuar
sempre a te amar.

Pinta

Ponta de boca, prazer, sou eu, a pinta. Nasci aqui, perto do lábio, criando um sabor a mais para meu beijo. Tenho pertinho de mim o fim do meu lado direito de sorriso, um fim de começo, calmo, no desejo de dar arrepios sem fim.

Sou preta, sou neutra, sou eu, sou pinta. Encanto, no canto, na palavra, no espanto que me queres sentir fluir, afim, sempre flutuando.

Nasci aqui, perto do amor. Nasci fazendo-te morrer, sem cor. Por isso sou quina de rosto, sou ponto sem esforço, sou pinta que pinta versos de paixão. Extensão do coração.

Costura no Sertão

Alegria tem agora, nesse suor de costa cinza, a linha. Acabara de costurar, ainda nos corpos, roupas com buracos isolados, onde pele e osso eram costumeiramente rasgados pelo vento em atrito com pedrinhas, tendo como vista este sertão sem sabão, água e comunhão.

Foram mil e trezentos netunos e plutões nessa magia entre furo, agulha e linha.

Acabou por prender muito aquilo que se perdeu, também, no vento. A comum falta de união pega tão firme as pessoas que irradia nervos à flor da pele. Sorte que a tendência do rastro a se seguir é apaziguar tais delírios ensandecidos, nascendo ruivamente pela união em braços, abraços, mãos dadas.

Esses remendos próprios costumam projetar proteção em dias de caminhos sem fim.

E há quem não ajude, no caso infeliz, o sol alegre que não percebe o risco de dor desse povo, contado sem número de dedos, que caminha pelo ar salgado de bom dia, boa tarde, boa noite.

Sobre o chão andam e sobre o chão nem se fala.

Um filete de ouro escondido em ilusões, miragens, sensações. Um chão de fala baixa, de resmungo alto, por vezes surdo, de tolerância malcozida em desgraça de nascimento.

Quem costuma morrer neste chão de sertão purifica tanto a alma que vira contramão no escorregar do destino.

Mas o chão sempre é chorão. Tolice pensar sobre isso.

Agora o corpo tende a ver desaparecer os rombos que o tempero do tempo fez juntar no desfilar desses corpos crus.

O remendo pende para esse lado de esquecimento, costura tanto os caminhares que produz neuras que tampam quaisquer dores. A costura fora feita para aguentar desfeita, raiva, soluço e medo. Todo o universo em remendo seguiu ajudando a tirar buraco de peito, por isso és firme como nó.

E pela via sem dó as vidas vão indo pelo sertão.

Seguem as doces alegrias escondidas na trilha dos dedos dos pés, indicando a solução de séculos de amor, de um estado de espírito conduzido pelo atrito entre agulha, linha, furo e transpor.

Quererá

Quererá. Quererá, quando?

Quando construir crer, culto calmo, em canções calamitosas de calor.

Calor que incluirá ilusões inimagináveis, iguais e imensas, intituladas inquietudes.

Inquietudes transferidas tais como tudo totalizado entre tons e tenacidade.

Tenaz.

Um umbigo único de amor. Amor amante,
amor de alcance, acima e abaixo, amor!!!

Brinco

Brinco azulado.
Brinco, enganado.

Brinco para rir.
Brinco para esculpir……..pescoço simples.

Brinco em argola.
Brinco quase toda hora…….para sempre sorrir.

Brinco.
Brinco……..em qualquer ordem.

Escorreguei

Escorreguei sujamente no tempo. Agora, quero de volta meus sentimentos de não medo, de equilíbrio em tempos de ventania e as mordidas de um cachorro de estimação.

Noites frias também são bem melhores, assim como os acordes de raios, gritos e louvores. Não preciso seguir, basta ter tudo de volta para nascer novamente para o vulto do mundo.

RICO

Meu coração é rico.
Meu coração tem sentimentos, amor, juramentos.
Meu coração é rico.
Tens amor, valor, discernimentos.
Meu coração é rico.
Não tem angústia, ranhura, descontentamentos.
Meu coração é rico.
Não tem mais sua amizade.

Sabores

 

08

Perfurante,

arruinante,
desestabilizante,
inconformado,
alucinante,
descompassado,
introdutório,
ácido,
apaixonante,
despido,
sincero,
martelo,
congestionante,
indefinido,
numeral,
temido,
espiritual,
antipático,
antigo,
futurístico,
incondicional.
&
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Outros sabores também tem minha poesia.